ABCOP - Associação Brasileira de Consultores Políticos
Quarta-Feira, 8 de setembro de 2010
 
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PIOR DO QUE TÁ NÃO FICA

GAUDÊNCIO TORQUATO

 

As doutrinas murcham, as utopias desaparecem, a alienação se expande e a política se escancara para abrigar quem dela quer fazer uma profissão e até figuras que a usam como mote para fazer piada. O conceito que a política alcançou entre nós chega ao fundo do poço com esta pergunta ao eleitor feita pelo palhaço Tiririca, candidato nesta eleição: "O que é que faz um deputado federal?" E ele mesmo responde: "Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto." Ninguém se deve surpreender se este candidato conseguir os votos necessários para fazer chiste no palco do Congresso Nacional, onde se poderá juntar a outros representantes que fizeram ou ainda fazem sucesso com suas habilidades na esfera dos esportes, das artes e dos divertimentos.

Afinal, por que o pleito deste ano, mais do que outros, coopta figuras não tão integradas ao mundo da política, como Maguila, Moacir Franco (que já frequentou a arena parlamentar), Ronaldo Esper, Netinho de Paula, Marcelinho Carioca, Romário ou a pleiteante conhecida como Mulher Pera?

De duas, uma: ou os novos atores políticos foram compelidos a ingressar no espaço público para cumprir relevante missão a serviço de coletividades que representam - e, se for esse o motivo, devem ser aplaudidos - ou a opção se deve ao esgotamento do ciclo profissional e ao vislumbre de uma carreira sob as luzes da democracia representativa. Seja qual for o motivo, o ingresso de celebridades no universo político merece reflexão, por assinalar, de certa forma, o estágio de desenvolvimento social, cultural e político de um povo. A razão para profissionais de outros nichos ingressarem no mundo da política tem que ver com a eleição de uma figura de origem humilde para o cargo mais importante da Nação? Será que, com sua ascensão, Lula teria aberto o caminho para qualquer pessoa, da mais simples à mais elevada, sentir-se motivada a pleitear os postos eletivos da República?

É razoável inferir que a escolha de um ex-metalúrgico para presidir a Nação pode ter contribuído para promover a autoestima de milhões de cidadãos, mas, sob o prisma da relação entre celebridade e política, há componentes quiçá mais apropriados para explicar o fenômeno. O sociólogo francês Edgar Morin, em clássico estudo sobre o comportamento da sociedade contemporânea, descreve o Olimpo da cultura de massas, onde sobressaem artistas, reis, rainhas, princesas, esportistas, mandatários, enfim, uma constelação de astros de todos os espectros que, por seu desempenho nos ambientes social, cultural, artístico e político, ganham ampla visibilidade. E por pertencerem a um seleto mundo, expostas à fosforescência das mídias, tais celebridades compõem uma identidade dual, humano/divina, tornando-se figuras modelares em que se espelham as massas. Assim, o anônimo nas multidões distingue o olimpiano como um ícone no altar da admiração. Em seu cotidiano, procura exercitar a imaginação, identificando-se com atitudes, gestos e gostos dos ídolos admirados, neles projetando valores e princípios de conduta.

Enxertemos, agora, a "galeria idolatrada" no universo da política. Que tipo de reação se pode esperar da massa senão a busca do autógrafo, a liturgia dos apertos de mão, abraços e beijos, a necessidade psicológica de interação espiritual entre "adoradores e adorados"? Abraçar o artista no auge de sua fama significa, para um "pobre mortal", partilhar, mesmo que por segundos, de um cantinho no Olimpo. Donde se chega à ilação: sem demérito para partido e figurantes, celebridade que se candidata a cargo eletivo funciona como anzol de pesca do eleitorado. Quanto mais famosa, mais eleitores arrebanhará, adensando siglas. Votações maiores puxam e elegem candidatos de diminuta expressão. Ao lado desse aspecto, que desvenda estratégia de esperteza e oportunismo, a expansão da participação de artistas e esportistas em campanhas eleitorais aponta, igualmente, para a deterioração dos padrões políticos.

Plagiam-se propostas, troca-se a ética pela estética e até a imitação da voz de artistas é usada para capturar a atenção de eleitores e conquistar seu voto. Essa é uma faceta rasteira que denota a banalização da política e da despolitização da sociedade. Se o País conseguiu alterar a fisionomia da pirâmide social, com a inserção de cerca de 25 milhões de brasileiros no mercado de consumo, exibe hoje performance desastrosa na frente política, caracterizada, sobretudo, pela privatização da esfera pública. "O poder é meu e eu faço com ele o que quiser." Eis a síntese do ideário que prevalece nestes tempos que exaltam a continuidade.

Quase oito anos depois, o Brasil patina na pista da política. A economia estabilizou-se, a inflação foi domada, os movimentos sociais se organizaram, a renda passou a ser distribuída aos mais carentes e a vida até ficou mais cômoda para os bolsos. A política, porém, continua velha. E a abrigar, de modo passivo, o canhestro desfile nos programas eleitorais de cacarecos, quadros debochados, estroinas e oportunistas. O slogan do palhaço Tiririca soa como profecia: "Pior do que tá não fica."

 

  • Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e consultor político e de comunicação.

 

 

                                                    

LIÇÕES DE UMA DERROTA!

por Sérgio Boechat *

 

O Brasil encerrou a sua participação na Copa do Mundo que está sendo realizada na África do Sul, de forma melancólica e o resultado final não surpreendeu ninguém ou quase ninguém! Foi uma derrota pré-anunciada devidos aos erros que foram cometidos nos últimos três anos. Geralmente a vitória mascara os erros e ninguém se atreve a apontar os erros ou defeitos de um Projeto vencedor, mas a derrota expõe os erros e precisamos analisá-los e tirar deles todas as lições possíveis para que não venhamos a cometê-los novamente. Aprendemos com os erros do Dunga e o que podemos aplicar a nós mesmos, aos nossos Projetos e à Administração Pública? 

A primeira coisa que se sobressai nessa experiência negativa vivida pela nossa Seleção é que não há mais lugar para o amadorismo. O Dunga nunca tinha sido treinador de nada, nem de time de botão e foi colocado para dirigir a Seleção Brasileira, pentacampeã e uma das seleções mais respeitadas em todo o mundo. Seleção brasileira tem que ser o ponto mais alto na carreira de um treinador e não o primeiro posto. Ali não é lugar para aprender a ser treinador, mas para demonstrar toda a capacidade já evidenciada na carreira de um profissional. Na Administração Pública é a mesma coisa. Não se inventa nada. Para ser Secretário ou Ministro tem que ter competência e um currículo que justifique a sua presença ali. Secretaria ou Ministério não pode ser prêmio para cabo eleitoral ou para atender a pedido de algum amigo. Tem que ter competência. 

Outra lição que temos que aprender é que não há mais lugar para o autoritarismo e para a centralização, que são marcas do caráter do ex-treinador da Seleção. Ele sabia tudo, resolvia tudo, decidia tudo, proibia tudo, trancava tudo e todos os jogadores, ameaçava tudo e todos e deu no que deu. Também não há mais lugar para este tipo de gente na Administração Pública. O segredo do sucesso é a delegação de poder e o diálogo. Monólogo e centralização não levam a lugar nenhum. Não existe mais o chefe, mas o líder. Não há mais lugar para ditadura. O Coronel do interior não existe mais. Tem que haver parceria e cumplicidade e não vítimas. 

Outro equívoco do Dunga foi acreditar apenas na lealdade e no comprometimento do grupo como chave para o sucesso, esquecendo-se de valorizar a parte técnica. Não se faz uma equipe apenas com jogadores submissos que aceitam tudo o que o treinador impõe, sem que se valorize o craque, o jogador que desequilibra e decide uma partida. Na Administração Pública também é importante a lealdade e o comprometimento, mas tem que existir competência, experiência e conhecimento técnico. Três qualidade são essenciais na escolha dos Secretários e dos Ministros: lealdade, competência e seriedade. Na hora de convocar a “seleção” para compartilhar o Governo, estes critérios são importantíssimos. 

Mais um erro do Dunga: Convocar jogadores pelos laços de amizade que tem com eles. Vários jogadores foram convocados e mantidos na Seleção, usando-se este critério. Jogadores que não eram nem titulares nos seus clubes foram convocados para a Seleção, porque faziam parte da “família Dunga”, isto é, eram amigos da Comissão Técnica. Na Administração Pública também ninguém pode virar Secretário ou Ministro por ser amigo do Prefeito, do Governador ou do Presidente da República. Este critério não pode ser o único nem decisivo na hora da convocação. 

Outra falha notada e que ajudou a conduzir a Seleção à derrota foi o péssimo relacionamento do treinador com todo mundo: jogadores da própria seleção ou não, imprensa e outros treinadores, demonstrando sempre muita arrogância e nenhum jogo de cintura. As próprias reações do treinador nas entrevistas coletivas e à beira do campo estimulavam reações negativas dos jogadores nas quatro linhas, passando total intranquilidade para os mais jovens e incitando à violência. O Prefeito, o Governador e o Presidente da República também têm que se relacionar bem com todo mundo, não atribuindo à imprensa e a outros fatores a sua incompetência ou os erros cometidos. Quanto mais agressividade no relacionamento mais intranquilidade para o Governo e o comprometimento da governabilidade. 

E por último, mas não menos importante: O treinador tem que ter humildade suficiente para reconhecer o erro quando ele ocorre. A arrogância não leva a nada. O treinador não é a estrela da companhia. Não pode ser o destaque. Não pode querer atrair para ele todos os holofotes. Ele é simplesmente o líder de um grupo, mas os jogadores é que são os protagonistas. Cabe a ele fazer o seu trabalho, mas sem querer ser mais do que ninguém. Na Administração Pública também há lugar para a humildade. Ninguém é infalível, mas uma vez constatado o erro o governante deve ter a humildade de reconhecê-lo e tentar corrigi-lo, mesmo que para isso ele tenha que rever os seus atos, refazer o seu Secretariado ou Ministério, não poupando nem mesmo os possíveis amigos que não estejam dando conta do recado e com isso prejudicando a imagem do Governo. Se aprendermos estas lições com a derrota do Brasil já está ótimo.


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* É advogado, consultor político membro da ABCOP - Associação Brasileira de Consultores Político e autor de "A Arte da Governbilidade", pela Editora Multifoco.
 

 

                                   O médico e o marqueteiro

Muitas pessoas já ouviram falar numa palavrinha chamada “Marketing Político”. Ela é sempre lembrada de dois em dois anos (ou talvez mais fortemente de quatro em quatro), quando o país em que vivemos abre suas cortinas para as ações de profissionais chamados de “marqueteiros”. A expressão, embora muitas vezes utilizada e já posicionada no imaginário da imprensa, denota um erro pra lá de semântico. Assim como nos explicava o falecido professor da UFRJ, Cid Pacheco, a expressão correta para o nosso trabalho é marquetólogo, uma vez que o sufixo “logo” significa estudo, estudo então do marketing, da ciência que procura entender o movimento do mercado. E, no caso em questão, o mercado eleitoral. Dizia ele que este sufixo “eiro” foi introduzido na língua portuguesa para denotar tudo aquilo que é pejorativo: doleiro, trambiqueiro, macumbeiro e por aí vai.

Esquecendo-se das perseguições que nossa profissão enfrenta, sempre enfrentou, vamos entender melhor como funciona o papel de quem tem a função de ser o (s) estrategista (s) de uma campanha eleitoral. E para entender melhor o que fazemos nada mais convincente e didático do que pensar no exercício diário de um médico. O que uma pessoa faz quando sente uma dorzinha que a incomoda? Quais as medidas e precauções a tomar, como resolver a questão? Ir a um médico. Procurar alguém que possa lhe dar um diagnóstico preciso sobre o problema (o que é, onde está localizado, seu grau de evolução) e, principalmente, como tratá-lo. Pois bem, é justamente o que nós, marquetólogos políticos fazemos. O nosso doente é o candidato (ou um político, quando a questão refere-se a algum governo ou mandato estabelecido). Nós também “medimos a temperatura e pressão” e pedimos exames, que em nosso caso, são as famosas pesquisas qualitativas e quantitativas. Além de uma boa conversa com nosso “doente”, essas informações oriundas das pesquisas nos mostrarão os reais problemas, onde estão localizados. Saberemos, portanto, se a moléstia é apenas uma gripezinha ou então um câncer em fase terminal.

Contudo, o grave problema de nossos “doentes políticos” é a velha cultura de nos procurar quando já estão num estágio avançado de alguma moléstia (e que muitas vezes é incurável). Quando alguém nos procura restando apenas dois meses para a eleição, na maioria das vezes a única coisa que nos resta é chorar junto com o cliente ou então fazer com que sua “morte” não seja tão dolorosa. São aplicadas técnicas para que a família seja amparada pela perda do ente querido, que muitas vezes não é doente, mas um tal de “governo” que ele representa.

Apesar deste triste cenário, já existem hoje alguns candidatos e políticos que procuram nossos serviços de forma precavida, seja muito antes do início da batalha eleitoral ou mesmo quando já se encontram “salvos” e eleitos. Neste segundo, entra em cena o papel do marqueteiro-médico que aconselhará o doente a não cometer os erros, procurando uma alimentação adequada, nutrindo-se de boas pessoas ao seu lado, um bom plano de comunicação, bem digestivo para a população. E alguns comprimidos de propaganda no amanhecer e anoitecer, em doses de rádio ou televisão.

E assim, sem ter que emagrecer ou engordar dez quilos em um mês, juntamente com uma equipe de outros profissionais, que vão da psicologia ao teatro, nossos clientes podem gozar de uma vida boa e mansa. Certos de que se alguma doença os pegarem no meio do caminho, os bruxos do marketing estarão prontos para curar todo o mal, ou então amenizar aquilo que é incurável: a opinião do povo.

Gustavo Fleury

Jornalista e Consultor em Marketing Político
www.gugafleury.com.br

 

 

·  Especialista questiona eficácia da Lei da Ficha Limpa

·  Paulo Taques defende a aprovação do projeto, mas assinala questões que comprometem a legalidade


MidiaNews

Para o advogado Paulo Taques, pontos do Ficha Limpa podem ser considerados inconstitucionais


ANTONIELLE COSTA
DA REDAÇÃO

Especialista em legislação eleitoral, o advogado Paulo Taques manifestou, em entrevista ao MidiaNews, nesta sexta-feira (11), sua preocupação com a eficácia da Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 4. A lei, de acordo com decisão manifestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ontem à noite, terá validade já para as eleições deste ano.

Defensor do projeto, Paulo Taques avaliou que o texto traz alguns pontos que podem ser considerados inconstitucionais, resultando, inclusive, na ineficácia da lei. No entanto, ele defendeu uma alteração na Constituição Federal, para que o Ficha Limpa tenha eficácia plena.

"Entendo que a lei é de suma importância para consolidar a democracia, para aprimorar as candidaturas e o processo eleitoral. Mas, existem algumas preocupações, sobretudo, para evitar a banalização, em função das discussões jurídicas que existem. O Ficha Limpa atende ao clamor público, mas não à legalidade", afirmou o advogado.

Pontos polêmicos

De acordo com Taques, há três pontos que precisam ser levados em consideração no âmbito jurídico. Em primeiro lugar, a vigência da lei, que, segundo o TSE, é valida para as próximas eleições.

O advogado não concorda com tal definição, uma vez que, segundo ele, não atende ao artigo 16 da Constituição Federal, cujo texto diz que as modificações no processo eleitoral têm de ser aprovadas com, pelo menos, um ano antes das eleições.

Na votação do Ficha Limpa, os ministros do STF entenderam que a aplicação nas próximas eleições não traz mudança ao processo eleitoral, por ter sido aprovada antes das convenções. Dessa forma, não seria necessário esperar um ano para começar a aplicá-la.

Para Taques, o pleito eleitoral iniciou, do ponto de vista prático e legal, quando o TSE reconheceu as pré-candidaturas, bem como a pré-campanha; e, a partir da zero hora no último dia 10, quando começaram as convenções partidárias. Ele citou como exemplo a candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência da República, homologada ontem (10), durante convenção do Partido Verde.

O segundo ponto questionado pelo advogado é que o texto fere a Constituição Federal, no que tange à presunção de inocência, uma vez que a Constituição diz que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Ele explicou que, com a inegibilidade, o candidato ficará prejudicado com uma condenação que não existe, em contra-senso com Carta Magna.

O terceiro ponto polêmico, segundo Paulo Taques, é a questão da retroatividade, que também fere a Constituição. No entendimento do TSE, a lei será aplicada nos casos em condenações anteriores à sanção pelo presidente da República. Em seu artigo 5º, inciso XL, a Constituição prevê que a lei retroagirá apenas para beneficiar o réu, fato que não aconteceria com a aplicação do Ficha Limpa, segundo o advogado.

"Para que a lei tivesse extrema eficácia, sem discussões jurídicas é preciso que haja uma alteração na Constituição Federal. A alteração é de suma importância para a validação da lei, pois, com questionamentos jurídicos, poderá se tornar ineficaz e será banalizada", afirmou Taques.

Efeito suspensivo

O advogado lembrou ainda que, o candidato uma vez condenado poderá entrar com recurso junto ao próprio tribunal, para efeito suspensivo da inegibilidade. Nesse caso, o recurso deverá ser referendado pelo Pleno do Supremo.

Aplicação

Em um esforço para barrar candidatos com folha corrida, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluíram ontem que a Lei da Ficha Limpa vale já para a eleição deste ano. De acordo com a norma, os políticos que forem condenados por tribunais estão impedidos de disputar um cargo eletivo.

O presidente do tribunal, Ricardo Lewandowski, reconheceu, contudo, que a regra terá uma aplicação limitada na eleição de 2010.

O TSE posicionou-se sobre o assunto ao julgar uma consulta do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). O parlamentar perguntou se uma lei sobre inelegibilidades aprovada até 5 de julho deste ano poderia ser aplicada na eleição de outubro - 5 de julho é o prazo para registro das candidaturas.

"A lei tem aplicação na eleição de 2010", respondeu o relator da consulta, ministro Hamilton Carvalhido, que foi seguido por 5 de seus 6 colegas de tribunal. O placar do julgamento foi 6 a 1.

 

 

Reportagem com Vinicius Nagem 

 POLÍTICA VIRTUAL É VISTA COM RECEIO

O uso de redes sociais da internet como forma de propaganda dos candidatos divide os curitibanos: 52% concordam e 45% discordam

Os políticos que estão apostando nas ferramentas sociais da internet – como Orkut e Twitter – para conquistar votos nas eleições de outubro precisam aprender a interagir bem com os eleitores-internautas. Em Curitiba, pelo menos, uma grande parcela da população não vê com bons olhos o uso das mídias sociais pelos candidatos como forma de divulgação e comunicação. De acordo com levantamento do instituto Paraná Pesquisas, a maioria (52%) aprova o uso. Mas o porcentual daqueles que desaprovam está bem próximo: 45%. Outros 3% não souberam responder.

De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, as redes sociais digitais vão ganhar repercussão muito maior durante a campanha eleitoral, e por isso os candidatos agem certo ao aderirem a essas ferramentas. Além de se informar sobre as promessas de campanha, os internautas terão acesso aos “bastidores”, o que é um atrativo a mais. “Além de querer saber o plano de governo do candidato, as pessoas gostam da pimenta, da fofoca, querem saber de quem o político está falando mal”, disse Adriana Amaral, doutora em Comunicação Digital e professora da Universidade Tuiuti e pesquisadora do CNPQ.

Para Vinícius Nagem, professor da Faculdade Expoente e especialista em marketing político-eleitoral, o Twitter, por ser um espaço para manifestações curtas – no máximo 140 caracteres – vai funcionar como um Big Brother, acompanhando a vida diária do candidato. “É um canal que chama para o debate, mas não aprofunda ideias”, observa.

O Twitter, que às vezes se assemelha a um diário ou a um bloco de notas, ainda é pouco conhecido em relação ao Orkut – portal que reúne páginas pessoais e de comunidades sobre determinados temas. Mas, para o diretor do Parará Pesquisas, Murilo Hidalgo, o microblog está ganhando repercussão porque os meios de comunicação estão reproduzindo e comentando as mensagens postadas. “Isso faz com que o Twitter tenha força maior”, afirma. Como exemplo, ele cita o espaço conquistado pelo ex-governador Roberto Requião (PMDB), que é o mais comentado no Paraná pelo estilo crítico.

Testes

De acordo com Nagem, que também é diretor da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP), a eleição de outubro será histórica. “Essa eleição é um marco no marketing político do Brasil. Hoje o acesso à internet não se dá só via computador, mas por celular e outros mecanismos que não existiam anteriormente”, observa. Segundo ele, várias ferramentas novas serão testadas. Os candidatos terão condições de interagir de forma direta com o eleitorado, independentemente de onde estejam, graças às ferramentas virtuais. “Um candidato na Boca Maldita com uma bandinha, por exemplo, vai poder mandar mensagem ou até um filme via celular. Tudo que é novidade encanta”, diz.

No entanto, a desconfiança dos curitibanos em relação à internet como “santinho virtual” mostra que o sucesso nas urnas depende da estratégia usada pelo candidato para adequar o discurso ao perfil do eleitorado. As ferramentas como Twitter, Orkut, blogs e o Facebook (outro site que reúne redes de amigos e comunidades com algo em comum) vão ser usadas de forma conjugada na eleição. O que vai fazer a diferença será a linguagem usada por cada político em cada rede social. Para Adriana, da Tuiuti, o tom pessoal nas mensagens é que vai dar credibilidade e ganhar a confiança dos potenciais eleitores. “As pessoas estão em busca de conteúdo personalizado, não da opinião postada lá por um assessor do político. Querem relatos pessoais sobre o que pensam e pretendem, além da plataforma da campanha.”

Por outro lado, especialistas alertam para a necessidade de controle do conteúdo no mundo virtual durante a campanha (leia mais abaixo). Murilo Hidalgo defende uma fiscalização rigorosa por parte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Segundo ele, denúncias infundadas, criadas por adversários políticos, podem confundir o eleitor. “Acho que a internet vai ser muito mais usada para o mal do que para o bem”, prevê o diretor do Paraná Pesquisas.

Publicado em 18/04/2010|KÁTIA CHAGAS - Jornal Gazeta do Povo


Vinicius Nagem – Diretor da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (www.abcop.com.br), consultor e professor universitário.

Email: vinicius.nagem@gmail.com.br

 

KLEBER LIMA*

     Nessa fase de início de governo - caso da maioria dos prefeitos no momento - é muito natural a insegurança de todo o staff sobre os rumos que suas ações os estão levando, ou a seu governo. As pressões por empregos e contratos consomem a sua capacidade de elaboração. O desconhecimento sobre a real situação da máquina deixada pelo antecessor** compromete sua capacidade de gestão. O mais comum, por esses e outros aspectos, é que nos primeiros meses os novos gestores não giram de fato, mas sejam atropelados pela própria máquina, que deve continuar funcionando como aparato estatal, independente da força política que a tente dominar. O que significa criar demandas naturais que precisam ser tratadas.

     Depois de viver as primeiras semanas de pressão exaustiva e extenuante, com jornadas de trabalho que passam das 20 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados, sem, no entanto se chegar a resultados muito palpáveis, então os gestores param e se perguntam: - “Estou no caminho certo?”.

     Tenho respondido a essa pergunta, e de modo mais corriqueiro nesses períodos de início de novo governo (inclusive em entidades, instituições), da mesma forma: - “Depende de onde você quer chegar”.

     A questão de fundo sobre o rumo de um novo governo ou projeto dependerá sempre dos objetivos estratégicos que se estabeleça. Sem saber onde se quer chegar, torna-se impossível avaliar – e o mais importante, ajustar – o caminho a seguir.

     O novo governante possui de pontos fortes nesse período. Acabou de vencer as eleições. Independente da proporção de votos que conquistou, chegou ao posto pela vontade da maioria da população. Goza de credibilidade e conta com a esperança do povo. Essa lua-de-mel dura entre 90 e 180 dias. Depois disso a clientela começa a ficar impaciente.

     O prefeito não pode se esquecer que chegou lá fazendo compromissos públicos, contidos em geral em seu plano de governo. Plano de governo é uma proposta apresentada durante a campanha. É fatalmente afetada pela necessidade de convencer os eleitores, a partir do que eles desejam. Mas, não é uma peça de planejamento. Seu desafio no início do governo, beneficiando-se do período da lua-de-mel, é transformar os sonhos do plano de governo em realidade administrativa. E o primeiro passo para isso é um bem elaborado planejamento estratégico de seu governo. A partir não mais do desejo subjetivo dos cidadãos, apenas, mas de suas necessidades concretas cruzadas com as possibilidades objetivas da máquina administrativa e das conjunturas econômica e política.

     Ou seja, o planejamento estratégico dará ao gestor o seu destino final, em que pese as intempéries e percalços dos inúmeros caminhos que terá pela frente. Sabendo onde quer chegar, pode tomar atalhos ou dar voltas, acelerar o passo ou reduzir a marcha a cada encruzilhada, ajustar as velas em função da velocidade e direção dos ventos, deixando de ficar à mercê da maré.

     Isso tudo vale para a gestão como um todo, inclusive para a comunicação. É comum, nesse quesito, gestores culparem a sua comunicação pelos baixos resultados de sua gestão. Entretanto, se a gestão não sabe onde quer chegar, a sua comunicação também não o saberá, e será, como toda a administração, errática e capenga.

**PS: Essa angústia por saber se os relatórios deixados pelo antecessor sobre a mesa do prefeito correspondem, de fato, à situação dos próprios públicos nunca vai se acabar. Não há governo de transição eficiente ao ponto de resolver essa situação. Mesmo em casos em que o sucessor pertença à mesma filiação política do antecessor, a verdadeira natureza da máquina leva no mínimo seis meses para ser completamente apreendida. Mas, há casos em que o sujeito passa quatro anos na prefeitura sem dominar a máquina, que, ao contrário, o domina o tempo todo. De todo o modo, é prática comum, se ainda bem que é assim, que ao chegar se faça uma minuciosa auditoria, pelo menos de na contabilidade, folha de pessoa, contratos e patrimônio. Para conhecer e se precaver de problemas futuros.

(*) KLEBER LIMA é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br.

 

A Zona Eleitoral

Arthur Maciel
arthurmaciel@limao.com.br

 

- Povo da minha terra, que me ouve agora, aqui, neste exato momento deste dia de hoje! - grita pleonasticamente ao microfone o candidato a vereador de uma pequena cidade ao introduzir sua fala. É manhã de sábado e o povo passa para a feira em meio aos cavalos, porcos e galinhas. Não àqueles que se esgoelam nos palanques, mas entre os animais de verdade, que estão à venda. Se bem que os cavalos, porcos e galinhas que falam ao povo também estão à venda. Pelo menos é o que parece. Eles se autopromovem para um pequeno grupo de gatos pingados, trazidos por eles mesmos de seus redutos, e para os transeuntes que aparentam se interessar muito mais pelos cavalos, porcos e galinhas da feira do que por aqueles que relincham, grunhem e cacarejam do alto do palco armado na praça.
O locutor diz os nomes e os números dos candidatos como quem lista os preços dos produtos do mercado: Zé do Açougue 35222, Pescoço bovino 1.99 o quilo. A carne é de terceira e os políticos, de quinta! Os discursos, se é que assim podem ser chamados, seguem um mesmo roteiro: votem em mim / sou honesto / votem em mim. Um ou outro mais falante foge à regra e faz diferente: promete coisas que até ele mesmo duvida que possa realizar! Mas ninguém questiona, só aplaude. Em política, ajoelhou tem que rezar...para que eles não sejam eleitos, suponho.
A opção de um eleitor por um candidato é de uma lógica muito simplória, quase franciscana! Por aqui, fatores econômicos e emocionais é que pesam na hora da decisão. Se o postulante dá dinheiro mas não agrada, ele torra seus bens e não vence a disputa. Do mesmo modo, se ele faz o coração feliz mas deixa o bolso triste, continua passível de derrota. Não importa se é cavalo, se é porco ou se é galinha. Sendo simpático e gastador ele tem vitória quase certa, ainda que depois o sorriso desapareça e a gastança continue, mas com o dinheiro de outros animais: das antas e dos burros que o elegeram!
A democracia, iluminada pela esperança e aquecida pela fé, como dizia o talvez ingênuo Ulysses Guimarães, é consumada com a apuração dos votos. Tarde da noite, segue uma carreata pelas ruas da cidade composta rigorosamente de um carro-de-som, uma caminhonete com o prefeito eleito em cima e o povo que, correndo eufórico na frente, mostra que foi feita a sua vontade. Onde a festa acaba? Para o candidato vitorioso, em um almoço no dia seguinte com as autoridades locais. Para o povo, em uma ressaca daquelas e numa brusca retomada da dura rotina que havia sido deixada de lado com a empolgação da campanha. As pessoas acabam esquecendo das obrigações do dia-a-dia devido ao calor da eleição e depois não lembram de cobrar as promessas da eleição por causa das agitações do dia-a-dia!
A lógica franciscana da campanha eleitoral é a mesma nos quatro anos de mandato dos eleitos. Mas a relação deles com os eleitores vai ficando cada vez menos santa, afinal eles não precisam de votos, pelos menos por enquanto, e então passam pelo que eu chamo de Síndrome da Inculpabilidade: o político começa a transferir para os outros a responsabilidade sobre sua pífia atuação. É aquela velha estória (com “e” mesmo) do Legislativo que sempre depende do Executivo para ter seus projetos executados...e assim eles vão saindo pela tangente, pelo seno e pelo cosseno com a mesma desculpa! É como se as “excelências pouco excelentes” combinassem, além das benevolências recíprocas, as justificativas furadas que vão dar à sociedade.
A cena final e mais marcante deste filme, que o leitor tem a estranha sensação de já ter visto um dia, é que aqueles que corriam eufóricos na dianteira das carreatas depois parecem continuar correndo, mas de medo do tal “sistema democrático” que descasca, usa e então joga fora. A política virou um instrumento de prostituição da cidadania. O Brasil é uma gigantesca ZONA eleitoral no seu mais lamentável sentido.

*Arthur Maciel é cronista pernambucano, natural do município de Escada.


O QUE O MARKETING PODE FAZER POR VOCÊ DEPOIS DE ELEITO?

“UM LIDER COMEÇA A DESAPARECER QUANDO SEUS LIDERADOS PARAM DE DEFENDE-LO OU DE DESSIMINAR SUAS IDÉIAS E IDEAIS”. Carlos Manhanelli


ANTES DA POSSE

Vamos aos fatos: Políticos normalmente se elegem e esquecem o eleitorado.
Um dos grandes erros da maioria dos políticos é achar que seus eleitores não guardam rancor do esquecimento a que são relegados. De quatro em quatro anos o eleitor se vinga do voto que deu na eleição anterior.
Por esse motivo, muitos já tiveram suas curtas carreiras naufragadas, por falta de visão de longo prazo.
Os parlamentares que não conseguiram se reeleger, ou os mandatários do executivo que não conseguiram eleger seu sucessor, desperdiçaram a mais poderosa e barata arma do Marketing Eleitoral que um político pode dispor: seu próprio mandato.
Muitos dos políticos modernos, já se conscientizaram que a população tem carências constantes e que entre estas carências está a afetiva.
Se fazer lembrar durante todo o mandato, caracteriza-se como uma das formas de se fazer lembrado e na época da campanha eleitoral, fica mais fácil o trabalho de amarração do voto, da reeleição ou da transferência do apoio a um candidato.
Este trabalho deve iniciar logo após a eleição. Sabemos que todos candidatos, principalmente os vencedores, querem e precisam de um período de descanso após as eleições, que o consumiram com agendas apertadas, compromissos inadiáveis, reuniões intermináveis e os famosos cafezinhos. Infelizmente, cabe ao candidato ainda um ultimo esforço para que possa preparar e pavimentar o caminho de seu mandato: Agradecer os apoios.
Não, não é aquele discurso genérico que você fez achando que todo mundo já ouviu seu agradecimento. Este infelizmente não vale. E não use como argumento para não faze-lo a montagem da equipe, a demanda da imprensa, as viagens, as preparações para cumprir bem o mandato, as reuniões com outros políticos, etc, pois todas estas eu e seus eleitores já conhecemos.
Outro argumento bastante conhecido é o de que “visitar as bases agora é só receber cobrança das promessas de campanha”. Ledo engano, seus eleitores saberão reconhecer que o momento e a hora não são apropriados para qualquer cobrança.
Prepare-se para fazer a “via sacra” e agradecer a todos os seus eleitores, ou ao menos aos que lhe ajudaram diretamente, pelo voto, ou conforme-se com a imagem de: - “agora que ele se elegeu, não precisa mais de nós” e amargue na próxima eleição o prejuízo que certamente esta atitude causará.
É um momento bastante importante, pois você estará chegando no seu terreno, onde você conseguiu a vitória, você é um vitorioso agradecido. O fato de visitá-los reafirma o pacto efetuado entre vocês e fortalece os laços de confiança e credibilidade lançados durante a campanha.
Se for o seu primeiro mandato, ai é que esta visita é fundamental, pois ira formar a primeira impressão, que para a maioria das pessoas é definitiva e única (a primeira impressão é a que fica). Se a primeira impressão for favorável, o eleitor tende a ver com tolerância, boa vontade e compreensão seus atos, e acaba consolidando uma imagem positiva sobre sua personalidade política. Como sabemos, imagem boa é tudo o que um político precisa para ser bem sucedido.
Um político deverá ser muito cuidadoso com a primeira impressão que causa, pois não terá uma segunda chance (uma segunda impressão). A primeira impressão tende a consolidar-se na mente das pessoas que o conhecem e difundir-se através do boca a boca.
A organização desta primeira visita é fundamental. Todos devem ser envolvidos, desde as lideranças locais, visitas as autoridades, aos meios de comunicação, ao comercio, as associações e comunidades.
Você agora é uma autoridade e como tal seus eleitores esperam seu comportamento. O cuidado com o que diz, a coerência entre o que disse em campanha, o que diz agora, o que faz e suas primeiras iniciativas, estarão sendo minuciosamente estudadas para saber suas reais intenções.
Deve-se levar como mensagem inicial, como será a forma de comunicação entre seu gabinete e os eleitores, correspondência, visitas, reuniões, solicitações de agendas, etc, convite para que todos compareçam ao seu gabinete para ajuda-lo a construir o mandato através de sugestões, críticas e novas idéias, reafirmar seus compromissos de campanha, informar quais serão suas ações prioritárias, projetos e atividades assim que assumir, informações sobre o quadro político atual e claro, a confiança que tiveram em depositar o voto em seu nome e elege-lo.
Lembre-se você como político vive de imagem e construir uma imagem de político confiável e com credibilidade nos dias de hoje, é todo o diferencial que se procura.
Você terá que reconstruir, ao menos em parte, a campanha eleitoral

APÓS A POSSE

Logo após a posse, você terá que montar sua estrutura de comunicação.
Normalmente as estruturas de comunicação e imprensa nas estruturas políticas, trabalham apenas com mídia, ou seja, sua preocupação básica é a de levar ao conhecimento de jornais, revistas, rádios e Tvs o conceito de divulgação das ações políticas. A mídia, no entanto, compreende apenas uma pequena parte de um planejamento de Marketing.
Este erro não deve ser imputado às assessorias, que na maioria das vezes é muito bem intencionada. Os próprios políticos ainda tratam este tema com descaso e falta de profissionalismo.
Não é comum encontrar um político que acredite desde o primeiro dia de seu mandato na importância do Marketing e da comunicação. Ou porque ele julga que um bom trabalho termina por aparecer – e neste caso – basta trabalhar e esperar – ou porque não é capaz de perceber o que o Marketing e a comunicação trarão para a formação de sua força política eleitoral. Então o Marketing e a comunicação terminam sendo as ultimas das prioridades. E sem entender a importância do Marketing e da comunicação, tratando estes temas com pouca ou nenhuma importância, o resultado só poderá ser o fracasso na tarefa da informação e da sua imagem pública.
O segundo problema é a falta de profissionalismo. Muitas vezes o político tem vontade, interesse e conhece a força do Marketing, mas entrega esta tarefa a um “entendido”. Um cabo eleitoral que o ajudou, um primo do deputado, um menino de futuro e cheio de vontade, mas que nunca trabalhou na área, e o resultado é também fracasso.
O político necessita do Marketing Político em suas gestões, para ampliar as pontes de comunicação com suas comunidades, prestar contas periódicas, criar clima de aceitação e simpatia, abrir fluxos de acessos, identificar pontos de estrangulamento nas estruturas burocráticas de seus gabinetes, identificar anseios, expectativas e demandas sociais e criar um clima de confiança e credibilidade, virtudes tão requisitadas dos políticos, porem raras.
Para dar certo um trabalho de Marketing é fundamental, interesse por parte do político e profissionalismo por parte de quem vai executar esta tarefa.
Obviamente que um profissional de Marketing Político sozinho não fará milagres, pois o Marketing na esfera política depende de outras ciências para ser impetrado com sucesso. A assessoria de imprensa, cerimonial, eventos, informática, propaganda, projetos especiais, telemarketing e pesquisas farão parte integrante de qualquer plano de Marketing Político.
Esta estrutura é bastante simples. As pesquisas demonstram as prioridades da população e permitem a verificação dos resultados das ações junto à opinião pública.
Dois instrumentos destacam-se no processo de Marketing Político: o primeiro é o planejamento estratégico onde o governante opera com base em informações e dados obtidos com rigor técnico em duas fontes básicas: suas secretarias ou diretorias (o que estão fazendo e como), pesquisas quantitativas e qualitativas para levantar as demandas prioritárias da população (graus de pressão e de satisfação); uso da criatividade para o desenvolvimento de alternativas que melhorem a vida das comunidades; identificação de oportunidades de desenvolvimento das comunidades (levantamento de vocação econômica da região/ programas estratégicos).
O segundo é a comunicação
Quando o político não trabalha a comunicação de suas ações, acaba deixando espaços para que a oposição divulgue a sua “versão dos fatos”, na maioria das vezes distorcida. É preciso ocupar todos os espaços disponíveis.
Devemos nos deter um pouco no item informática. Com a explosão da internet em todo o mundo, este veiculo tornou-se um dos mais privilegiados para um gabinete legislativo ou executivo. Com a informática podemos administrar um bom banco de dados, contatar com os meios de comunicação, obter noticias e fatos que possam ajudar nas decisões, emanar orientação para todos os colaboradores do mandato, etc.
O Marketing Político compreende um conjunto de meios, formas, recursos e ações de pesquisa, comunicação e mobilização que sustentem suas atividades e vise aumentar a dimensão pessoal/administrativa do executivo ou legislativo, sua gravidade política, liderança e popularidade, num movimento planejado para convergir com todos os fatores auxiliares, para um ponto preciso no futuro, arrebanhando discordantes e reafirmando seguidores.
Ta bom, muito bla bla bla e pouca ação. Então vamos lá. COMO FAZER?
Abaixo algumas dicas:
Identificar o público a ser atingido. É preciso entender que você é um político e como tal, é visto como um prestador de serviços para sua comunidade, e é remunerado. Por isso você não pode e nem deve ficar apenas com seus eleitores. É hora de ampliar seus horizontes e conquistar novas frentes. O primeiro passo então é saber quem são seus eleitores e quem não são. Manutenção e ampliação estes serão os objetivos de marketing iniciais para qualquer mandato. Temos delineado pois o nosso público alvo.
O seu diferencial enquanto político é sua competência e resultados. Com certeza é nisso que a comunidade que você representa está interessada.
Identificar, dentro da comunidade, quem são as pessoas que devem conhecer suas competências e os resultados oriundos de seu trabalho político.
Aproveitar e criar espaços dentro da comunidade para falar um pouco do projeto político que vem desenvolvendo. Não espere apenas por situações formais como palestras, tribunas e encontros políticos. Uma conversa informal ou mesmo um jantar, pode ser um espaço para discutir projetos e idéias, e o que você tem feito para atingir estes objetivos. Não perca oportunidades.
Adquirir exposição fora da sua comunidade dando palestras, opinando sobre assuntos nacionais e internacionais. Lembre-se a sua valorização poderá ser bastante auxiliada se for reconhecido e valorizado fora de sua comunidade.
Seja Político, saiba como, quando e com quem falar.
Identificar o tipo de mídia que possa lhe trazer benefício e escrever artigos, dar entrevistas, etc. Não esqueça de relacionar os militantes na mídia especializada (seções políticas)
Fazer projetos e ações políticas que possam ser repercutidas. Apenas falar mal do concorrente político não dá.
Treinar seus colaboradores mais próximos de forma que tenha certeza que sabem falar com clareza sobre suas propostas, projetos e idéias.
Cuidar de sua comunicação. Ela é um elemento primordial no marketing político. Você deve cuidar de saber se posicionar e ter desenvoltura em uma entrevista na mídia eletrônica e impressa, nas apresentações, representações, aparições públicas e informais. Por várias vezes já afirmei em minhas palestras que a primeira coisa que um político inteligente deve fazer é contratar um bom assessor de imprensa.
A chave do sucesso no marketing político é conhecer e ser conhecido pelas pessoas que podem fazer diferença no seu futuro político/eleitoral.
É importante entender que o que muda radicalmente num mandato onde o marketing é aplicado, são os objetivos. Nele, o que interessa não é o que o político pensa, ou o que ele faz, e disso se orgulha. O que importa é o que o cidadão considera bom pra ele.
O bom mandato é aquele que satisfaz plenamente o cidadão/eleitor, e isto só acontece quando a gente sabe o que ele quer e precisa.
Se você entender a importância dos itens colocados acima, então teremos um político com cabeça para o marketing. Você auxiliará e muito o profissional encarregado de seu Marketing Político.
O Marketing Político deve ser visto como um meio pelo qual o político promove o bem estar e o desenvolvimento de seus eleitores e não como meio de ludibria-los.
Como nos ensinou Maquiavel, política é sobretudo a arte de conquistar, dominar e manter o poder político.
(texto extraído do livro “Marketing Pós Eleitoral” do Prof. Carlos Manhanelli – Editora Summus 2002).

 




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